A história é conhecida, ou assim parece. Todos ouvimos falar do caso de Hiroo Onoda, o soldado japonês que passou 30 anos escondido nas selvas das Filipinas, julgando que a guerra, a 2ª Guerra, não terminara: só se renderia em 1974, para espanto do mundo e da História. Onoda escreveu uma autobiografia - ou, melhor dito, uma narrativa dos seus anos de guerra - e, mais recentemente, o realizador alemão Werner Herzog escreveu um relato da sua vida, que acaba de ser traduzido e publicado entre nós na novel e excelsa chancela Zigurate, de Carlos Vaz Marques (O Crepúsculo do Mundo, 2023; declaração de interesses: no passado dia 5, em conjunto com o Pedro Mexia, fui apresentar esta obra à Feira do Livro).
A história é conhecida, ou assim parece. Todos ouvimos falar do caso de Hiroo Onoda, o soldado japonês que passou 30 anos escondido nas selvas das Filipinas, julgando que a guerra, a 2ª Guerra, não terminara: só se renderia em 1974, para espanto do mundo e da História.
Existiram muitos casos como estes, histórias de soldados japoneses que se recusaram a aceitar a derrota do seu país e a perda do poder divino do imperador: atemorizados pela propaganda de guerra, que dizia que os americanos tratavam barbaramente os seus presos, o sargento Masashi Ito e o soldado Bunzo Minagawa refugiaram-se nas florestas de Guam quando esta ilha foi tomada pelos Aliados em 1944 - aí permaneceram durante 16 anos, em condições miseráveis, e só...
Outros renderam-se mais cedo, mas ainda assim muito depois de a guerra ter acabado, como foi o caso de Ei Yamaguchi, refugiado na Ilha de Peleliu, que se entregou apenas em Abril de 1947, ou de Matsudo Linsoki e Yamakage Kifuku, detidos em Iwo Jima em 1949.
Mais interessante do que tentar perceber o"caso" de Onoda e de outros camaradas seus, que estiveram durante décadas perdidos na selva, é compreender o processo de mitificação e heroicização que ainda hoje nos leva a julgarmos que a saga daquele japonês foi um acontecimento singular e isolado. Como atrás se mostrou, foram muitos os japoneses que não aceitaram a derrota e a rendição, muito mais do que julgamos.
- de um homem que viveu 30 anos no mato, em condições perigosas e deploráveis. É também admirável o seu sentido de dever e de amor à pátria, por muito surreal e bizarro que nos pareça aquele seu conceito de patriotismo.
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Contra tudo e todosA história é conhecida, ou assim parece. Todos ouvimos falar do caso de Hiroo Onoda, o soldado japonês que passou 30 anos escondido nas selvas das Filipinas, julgando que a guerra, a 2ª Guerra, não terminara: só se renderia em 1974, para espanto do mundo e da História. Onoda escreveu uma autobiografia - ou, melhor dito, uma narrativa dos seus anos de guerra - e, mais recentemente, o realizador alemão Werner Herzog escreveu um relato da sua vida, que acaba de ser traduzido e publicado entre nós na novel e excelsa chancela Zigurate, de Carlos Vaz Marques (O Crepúsculo do Mundo, 2023; declaração de interesses: no passado dia 5, em conjunto com o Pedro Mexia, fui apresentar esta obra à Feira do Livro).
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